domingo, 30 de novembro de 2014

Quando ninguém deve ler.

Às vezes eu quero escrever pra que ninguém leia, e eu decidi que aqui é o melhor lugar pra isso.
Provavelmente não tem ninguém lendo isso, e tudo bem.
Tudo bem mesmo.
Eu prefiro assim, por hora.
Sei que soa estranho que uma escritora não queira ser lida às vezes, mas eu sempre fui toda esquisitices.
Se realmente tiver alguém lendo, não entenda mal, não estou dizendo que não quero que meus livros sejam lidos, é só que às vezes eu quero escrever única, e exclusivamente, para tirar a sensação ruim que insiste em me puxar para baixo, para dentro desse poço de lama sem fundo que me acompanha desde muito tempo; para me livrar do parasita que parece deliciar-se ao alimentar-se das memórias felizes que eu tão arduamente tento cultivar.
Talvez por isso os dementadores da J.K. tenham me parecido tão assustadores.
A personificação do próprio medo, alimentando-se da felicidade.
Melhor analogia à depressão não há.
Mas a questão toda é o desejo de escrever, pra ninguém em especial.
Sem revisões, sem preocupações, e não na linha do transcendental e maravilhoso que faz-nos levitar e andar pelo céu.
Sem a magia de escrever uma história em que as coisas se encaixam e faça seu inconsciente trabalhar arduamente e te faça parecer um gênio.
Sem corretor do word.
Sem julgamento ou receio de ser repreendido.
É só um desabafo.
Sem pagar penitência.
É só um desabafo.
Sem me preocupar com layout do blog.
Só um desabafo.
Já até me sinto mais leve, se me permite dizer, apesar de toda a música de fossa tocando ao fundo, mas essa sempre foi a graça.
Jogar a vida no modo hard, né?
Preciso admitir, que me cansei um pouco disso, e que daria tudo para simplesmente vivê-la.
Para ter coragem de enfrentá-la.
Ou de ao menos afastar a grande nuvem de matéria nenhuma que me joga para baixo mais e mais, que faz com que eu ande cada vez mais encurvada e tenha uma constante vontade de gritar e vomitar.
Sabe, não são coisas que eu consiga dizer a ninguém.
Nem à minha psicóloga, o que é estranho por si só.
Quer dizer, depois de contar sobre anos de depressão, seja por divórcio, mudanças constantes, bullying, perdas, estupro, e o medo crescente de falhar, pela inconstância e incapacidade de terminar qualquer coisa... depois de contar sobre coisas tão mais pesadas, por que me parece tão errado falar sobre isso?
Eu ouvi uma vez ou outra, que às vezes temos que regredir para avançar, e isso até me pareceu inteligente, muito inteligente, na verdade, mas, por que, então, parece tão vergonhoso regredir?
Por que não tenho coragem de admitir que eu não consigo mais lutar contra isso sozinha?
Por que só dizer seu nome parece tão assustador agora?
Quer dizer, eu o disse ali em cima.
Por que não consigo escrevê-lo outra vez?
Por que as lágrimas estão caindo no teclado?
Eu não quero que elas o danifiquem.
Por que eu não consigo falar o que vim falar?
Por que eu nem ao menos consigo chegar no assunto que queria abordar?
Porque não paro de tangenciar o assunto?
Por que não consigo terminar nada?
É tão assustador.
Por que não escrevi isso em outro lugar?
Por que não fiz isso em um vídeo para o youtube?
Afinal, eu tenho um canal que nem ao menos uso, e, ainda assim, ele tem seguidores!
Por que, apesar de tudo isso, eu simplesmente não consigo sentir que exista alguém ao meu lado?
Por muito tempo meu sorriso foi forçado, e eu deveria estar acostumada a fazê-lo à essa altura, então por que ele simplesmente não sai?
Por que minha boca insiste em tremer numa deformidade opaca e completamente distorcida?
Por que cada vez mais eu me sinto o brinquedo com defeito que sempre soube ser?
Por que agora?
Depois de tanto tempo enfrentando demônios sozinha.
Por que agora?
Eu estava acostumada.
Juro que estava.
A ser a ovelha negra, a ouvir que "ela era uma boa filha", ser a estranha, a esquisita, a sozinha, atender o telefone e ouvir falarem mal de você na extensão... Eu estou acostumada a decepcionar as pessoas.
Eu não criava expectativas e impedi que o fizessem por mim; eu afastei todo mundo e impedi que acreditassem em mim.
Eu vivi o pior inferno que eu poderia imaginar e a chantagem que veio depois disso e eu fiz do pesadelo um trabalho frutífero e promissor.
Eu fiz do pesadelo sonho, sozinha.
Então por que agora tudo parece tão mais difícil?
Eu não consigo respirar, e não o digo como figura de linguagem.
Eu simplesmente não consigo.
Mas o choro está cessando, e eu estou sorrindo da minha tolice, a medida do possível.
A dor, a angustia e o desespero estão aqui, junto co o medo e a sensação do fracasso.
Não sei se um dia elas irão embora, mas eu vou aguentar.
De algum jeito, eu vou.
Sozinha, em silêncio, torcendo para que os livros me salvem uma vez mais.

O assunto que eu queria abordar, o mangá que quase parece uma biografia não autorizada, fica pra uma próxima, talvez.

E obrigada, querido amigo imaginário, por ter me escutado.
Sinto que nadei alguns centímetros rumo à superfície.
Talvez eu saia do lamaçal.

domingo, 1 de junho de 2014

Relembranças.

Eu lembro que Shrek foi um dos primeiros filmes que eu vi no cinema.
Onde eu morava não tinha, então complicava um pouco as coisas, e acontece que eu estava em São Paulo quando o filme estava em cartaz.
Enfim, o que importa, é que eu lembro de achar a Fiona linda e maravilhosa quando ogra, até mais do que quando princesa. Eu real e sinceramente via uma beleza incrível naquela princesa diferente de todas as que eu estava acostumada. E uma pessoa que eu sempre admirei, zombou de mim. Na época, eu nem liguei. Eu achava a Fiona legal. Ela era diferente e autêntica. E eu achava o máximo o fato dela ser "cheinha", era uma coisa que fazia com que eu me sentisse parte de alguma coisa, como se eu fosse capaz de conseguir um "felizes pra sempre", também.
Quando Shrek 2 estreou, acabei, por motivo de visita familiar, indo ver o filme com a mesma pessoa que zombara de mim no primeiro filme.
Infelizmente, dessa vez, eu fiquei com vergonha daquilo que eu gostava.
Foi a primeira vez que eu fui machucada pelos padrões sociais e estéticos.
Só queria dizer que nenhuma criança merece ser ferida dessa jeito, por essa sociedade suja.
Tô falando isso porque a minha irmã, com 8 anos, tá fazendo regime, pulando refeições e deixando de tomar sorvete comigo, porque disseram pra ela que ginasta bonita é ginasta magra, que bailarina bonita é bailarina magra, que gente bonita é gente magra. E isso realmente me deixou com vontade de esfregar a cara de quem disse isso pra ela no asfalto.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Escrevo




Escrevo na esperança de que leia, a alma enegrecida, corrompida pelo dinheiro. Escrevo na esperança que as palavras arranquem o rancor que corrói meu peito e tira-me o sono.
Escrevo, agarrando-me ao resquício de sanidade que se esvai lentamente, a cada palavra sobre o futuro dita pelos lábios burgueses que se afirmam tão bem sucedidos.
Escrevo, na tentativa de provar a mim mesma que eu sou tudo aquilo que eu preciso ser, na tentativa vã de desvincular-me da imagem cálida que esperam que eu tome, enquanto a tórrida pessoa dentro de mim implode no oceano de expectativas que jamais corresponderei. A torrente de sentimentos e ideais me atinge, arrastando-me do pântano de desesperanças a que estou presa e joga-me no leito das ilusões. A verdade é que não me movi. Tudo não passa de uma farsa. De uma falsa esperança.
De que adianta?
Trago da paciência um longo filete, roubando-lhe tudo que me é possível pegar.
Preciso me agarrar e algo.
Onde está meu lápis?
Escrevo.
Escrevo na esperança de fugir de um mundo vil, que me enoja e me julga; que me pisa, mastiga e cospe.
 O catarro da sociedade pede a catarse, mas não passa de uma catástrofe.
Céus, daria meu lápis por um norte, por uma crença que me guie, mas a desilusão tirou-me a fé.
Resta-me escrever.
Então escrevo.
Escrevo na esperança que minhas palavras vagas façam a alguém o bem que fazem a mim.
Até lá, escrevo.
Escrevo porque a caneta é a única em quem acredito.
Escrevo, porque o papel é quem guarda meus segredos.
Escrevo, porque o lápis ensinou-me a extravasar aquilo que meus lábios e olhos não puderam.
Escrevo, porque é tudo que me resta.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Relatos de uma veterana em trotes.



Sabem, no começo de 2013 eu tive o PRAZER de ir dois dias seguidos no trote da Letras, da FFLCH (USP), devido a maravilhosa forma como os veteranos de meu curso me receberam, assim como os demais bixos dessa faculdade maravilhosa, na qual "respeito" sempre foi algo presente nos meus dias.
Entendam, não é como se não tivesse havido trote. Houve.
Uma brincadeira saudável e divertida que permitira a integração entre calouros e veteranos de forma descontraída.
Vamos começar: assim que saí da sala de matrícula, as pessoas PERGUNTARAM se poderiam me pintar, afinal, me parece plausível que um ser humano possa fazer suas próprias escolhas.
Certo.
Deixei pintarem, gastaram quase um pote de tinta no meu cabelo absurdamente comprido, sujaram minha blusa, calça e desenharam uma máscara do Guy Fawkes na minha cara, e, pasmem, PERGUNTARAM se poderiam pintar meus seios e bunda. Fiquei absolutamente ENCANTADA com essa ação absurda e espontaneamente civilizada.
Eu lembro que fiquei uma semana tentando tirar a tinta do cabelo por mais de 40 minutos!
Fizemos algumas brincadeiras pra lembrar o nome das pessoas – completamente em vão, é claro –, os veteranos apresentaram seus respectivos cursos para seus respectivos bixos, tudo incrivelmente organizado, as pessoas que tinham combinado de se encontrar, se encontraram, e caminhamos rumo à um semáforo para pedir dinheiro, e, novamente, pasmem, com os veteranos conversando com o bixos, como se fossemos GENTE.
Pois bem, pedágio, bar, tudo divertido e civilizado, com uma galera que sabia que “não” significa “não” e que não te julgava pela forma que você falava ou pelo que você gostava.
CARA, EU TAVA EM CASA.
Agora, por motivos que não me cabem dizer aqui, eu mudei de faculdade.
Resolvi que, esse ano, cursaria Produção Editorial na Anhembi Morumbi, o curso dos meus sonhos, com uma grade que, cara, me deu tesão de estudar.
Bom, me parece óbvio que depois de um trote TÃO descontraído eu fosse, também, para o trote da Anhembi. Afinal, é de se esperar que o trote de uma faculdade, particular, onde a dificuldade para entrar é consideravelmente menor do que uma USP, há cursos novos e bastante singulares, eu diria, e, supostamente, a maior parte dos alunos tem mente aberta, tenha um trote tão civilizado e cabeça quanto os que eu tinha experimentado previamente.
POIS É, DOCE ILUSÃO.
Qual não foi minha surpresa quando, assim que eu cheguei na faculdade, JOGARAM um pote de tinta na minha cabeça, saíram tentando me embebedar, e, quando eu disse que tomava remédio, jogaram cachaça na minha cabeça e nos meus olhos, me deixando quase cega por alguns segundos, dos se quais aproveitaram para passar a mão “até em meus ancestrais”. E olha que eu não sou nenhuma beldade.
Quero fazer um adendo aqui, dizendo que, somente quem me conhece e sabe o que eu passei aos meus 15 anos sabe como esse tipo de ação me repudia.
Outros grupos de veteranos vieram – enquanto eu esperava os veteranos no meu curso, que eu tinha combinado de encontrar – me puxando, dizendo que eu tinha ido no trote porque quis e agora tinha que aguentar; até que, pasmem pela bilhonésima vez, eu ouvi a frase “bixete, vai ter que pagar uma breja pra gente, ou eu vou rasgar sua roupa toda”.
Acho que foi o cúmulo pra mim.
O meu desconforto foi físico.
Infindáveis vezes pior do que a dor da cachaça barata, da 51 e da gororoba verde que já tinham jogado no meu rosto, à essa altura.
O pior, vocês não sabem, foi ouvir uma bixete que tava comigo sussurrar que estava COM MEDO.
Isso mesmo, senhoras e senhores, COM MEDO.
Mas que poderia julgar?
Eu mesmo só não estava com medo porque eu estava muito ocupada com ódio.
E, mais ainda, o que eu poderia fazer pra ajudar?
Porra, eu sou só uma bixete baixinha e gordinha que, de não sei quantas mil pessoas ali, conhecia 3 ou quatro indivíduos, que eu nem sabia onde estavam!
Okay, conseguimos fugir, mais uma vez, pra um lugar um pouco menos cheio, e, porra, eu presencio um treco ainda pior.
Uma bixete CHORANDO com 3 caras rasgando a roupa dela e cortando o cabelo. Por sorte, dessa vez, eu consegui pedir ajuda pra uns veteranos que pareciam “gente decente” e tavam por ali.
E, pra provar que eu não sou de todo chata, paguei uma breja, por vontade própria, pra eles, depois disso.
Ótimo, nesse momento um veterano que eu conhecia me ligou, e aí eu migrei pra perto dele, achando que eu estava salva.
De fato, perto do que já tinha me acontecido, eu estava.
Afinal, uma vez que é com uma pessoa que a gente conhece, a brincadeira toma uma proporção, um ar diferente.
Esse veterano ameaçou raspar minha sobrancelha – na verdade ele tava ameaçando antes mesmo que eu saísse de casa –, mas, não sei se vocês conseguem ver a diferença de uma pessoa que você conhece, e sabe que vai respeitar seus limites te zoando, de uma pessoa que você não conhece, jogou vodka barata na sua cara e ameaçou a cortar sua roupa.
Bom, a partir de então eu honestamente não tenho do que reclamar.
É claro que jogaram muito mais tinta em mim, bebidas das quais eu nunca tinha ouvido falar no meu cabelo, tinta de alumínio verde na minha perna – que, por acaso, não saiu até agora, o que me faz parecer a She Hulk –, pó de café, farinha, ovo, MOCOTÓ, óleo de cozinha, vinagre e mais uma porção de coisas, me fizeram andar de elefantinho e cantar uma música estúpida, mas, o ponto é: quando minha pressão baixou, meus veteranos pararam comigo e não xingaram, compraram água comigo e perguntaram se eu estava bem, não me forçaram a pedir dinheiro enquanto minha pressão não voltasse ao normal, e não me bateram com uma garrafa de whisky só porque eu não podia beber, por causa da minha medicação.
Eu me diverti, corri atrás de carro, pedi dinheiro, e paguei mais uma breja pra um pessoal, mesmo depois de toda merda que eu tinha passado naquele dia, uma vez que meus veteranos fizeram eu me sentir acolhida, parte de alguma coisa, e segura.
Afinal, não é pra isso que o trote deveria servir?
Não sei se tudo o que eu disse aqui fez muito sentido, mas eu definitivamente precisava desabafar, e pedir, encarecidamente:
Mais amor, por favor.
Clique na imagem para ampliá-la

Gostaria também de agradecer meus veteranos da Letras, por todo amor que só a FFLCH sabe dar; acreditem, agora eu dou muito mais valor em vocês.
E gostaria, de agradecer, acima de tudo, aos veteranos que me salvaram no trote da Anhembi.
Hégon, Carol, Thaís, e a outra amiga da P.E. que eu nunca soube o nome; vocês foram incríveis, obrigada.








Editado:
Muitas pessoas vieram me falar sobre proibir os trotes, não é isso que eu tenho em mente, gente, longe de mim.
Um trote bem aplicado é uma experiência memorável, e não acho que as pessoas, os calouros, deveriam ser privados de tal integração, mas é fato que às vezes, infelizmente a maior parte das vezes, as coisas saem do controle e os veteranos perdem a noção do que é saudável e do que é abuso de poder.
A questão não é proibir nem nada do tipo.
MUITO pelo contrário.
É a liberdade.
A liberdade de dar trote em um calouro que acabou de entrar na faculdade, é claro, mas, mais importante, a liberdade E DIREITO do calouro que está recebendo o trote de dizer: "chega", "não quero" ou "esse é o meu limite".
O problema é que a liberdade só é bem usufruída quando agregada ao conhecimento, sabedoria e afins; o que não é o caso da nossa nação.
.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O beijo que mudou o Brasil. Será?




Olá, humanos.
Esse não é meu blog como escritora, se estão procurando isso, sinto muito, irão se decepcionar.
É só um desabafador.

Bom, hoje tivemos o primeiro beijo homoafetivo da rede globo. UAU, muitos pensaram. Seja um “uau” bom, ou, em alguns casos menos providos de inteligência um “uau” negativo.
Enfim, eu preciso expor minha opinião sobre isso, usando elementos da infância pra embasar minha opinião linda e formosa. 
"Ai, Macedo, cê vai destruir minha infância com a sua ditadura gay?"
Véi, sai daqui.
Se você acha que só porque uma animação tem um casal gay sua infância tá sendo destruída, eu não tenho paciência nem tempo pra perder com você.
Ao resto dos bonitos, sejam bem vindos <3
 Vamos lá:

Esse moço incrivelmente atraente – pros gráficos de Sailor Moon –, à nossa esquerda (<), é Seiya Kou.
Não, não é o Seiya do Cavaleiros do Zodiaco, como vocês notaram, – apesar de CdZ também ser um bom exemplo do meu ponto.
Seiya Kou é alguém com quem você, provavelmente, está bem familiarizado. Seiya Kou é um integrante do “idol group” japonês conhecido como Three Lights.
Seyia também é conhecido como Sailor Star Fighter.
E, em algum momento eu sei que você quis que a Sailor Moon ficasse com o Seiya. Não importa o quão apaixonada você fosse pelo Tuxedo Mask.



O que, basicamente significa que você shippava isso:

O que nos leva a crer que, se o Seiya é a Star Fight, você shippava isso:
 
O que é lindo e maravilhoso e WAAAA ~ataque fangirl~
Aí vem um chato dizer: "Ai, Ana, mas ele era “metade homem”."
Okay, pra não entrar na questão de transgêneros e tornar esse post eterno, vamos parar por aqui com esse casal.
 Dessa vez.

 
Eu falaria da Michiru e da Haruka.
Lembram delas? Do sistema solar externo?
Pois é, elas eram lésbicas.
Um casal maravilhoso, se me permitem dizer.
Mas não conta também, primeiro porque, já que a Haruka se vestia como homem a maior parte do tempo, muita gente fingia que ela era homem.
Eu sei que você tinha uma amiga assim, e você também sabe. Mas, mesmo que não fosse o caso, tem a velha história do fetiche machista, não é? Que mulher lés nunca ouviu uma proposta de um ménage pra ela e sua respectiva namorada?
Claro que não dá pra ignorar as infindáveis mulheres, heroínas, que já passaram por uma “cura gay” coletiva, se é que me entendem, e continuam de pé, lutando por seus direitos.
Se você não entendeu, acredite, você não quer entender.
Mas, bom, estou tangenciando o assunto, deixem-me voltar ao ponto.
Casais homo afetivos.
Homens, especialmente.
Certo.
Lembram de Card Captor Sakura? A moça do báculo mágico que tinha que coletar as cartas e te fez querer andar de patins?
Então.
A Sakura tinha um irmão, Touya, e o Touya tinha um amigo, Yukito.
Lembram dele?
“Ai, ai, ai Yukito!”
Então, ele.
Primeiro eu quero dizer que, se esses dois não eram um casal, eu não sei mais o que significa ser um casal.
E em segundo lugar.
Lembram do Shaoran?
Vocês querem olhar na minha face e dizer que o Shaoran não teve uma paixão homoafetiva pelo Yukito?
“Ai, Ana, mas era só porque o espirito louco lá – Yue – tava no Yukito e bla bla bla”
SÉRIO?
Tipo, sério?
Desculpa, amigo, mas eu não compro essa.
Até porque a hipótese do Shaoran ser bissexual NÃO EXISTE, né?
Mas, se for o caso, vamos comprar que é por causa do Yue.
Isso não invalida o relacionamento do Yukito e do Touya. Isso, aliás, só reforça um pouquinho as coisas.
~possíveis spoilers~
Isso sem contar que o Yue era apaixonado pelo Clow.
Tipo, de verdade e com força. Aquele tipo de amor eterno e apaixonado e perfeito e lindo, tanto que ele fica chateadíssimo quando descobre quem é a reencarnação do Clow, e questiona porque não o contatou.
Mas aí já já temos spoilers, então deixa a Macedo se calar aqui.
E olha que eu nem abordei o fato de que a Tomoyo assume no episódio da carta "Shield" que era apaixonada pela Sakura. E, nossa, segundo minhas fontes, a mãe da Tomoyo era apaixonada pela mãe da Sakura!
A viadagem, ela não tem fim! E ELA É LINDA.
<3
Okay, agora juro que parei com os possíveis spoilers.

Mas enfim, querem mais exemplos de "viadagem" na sua infância?
Mulan.
SIM, A DISNEY TINHA, SIM, UM PÉZINHO NO RELACIONAMENTO HOMOSSEXUAL.
Sério que vocês acham que, magicamente, o Shang se apaixonou por ela só porque agora ela é mulher.
Em nenhum momento ao longo da animação inteira ele questionou a sexualidade dele.
Claro.
Eu não queria contar nada, mas eu sou a fada do dente.
Como se essa música melhorasse tudo, também.
"Senhor, eu vou fazer de você um homem." Tão perto que daria pra beijar a moça.
Okay.
E “Como Treinar Seu Dragão”?
Okay, não é disney e não é bem infância, por ser bem recente, mas é lindo e magia, então deixa eu falar aqui, porque eu quero. -Q
Vocês acham que é só sobre aceitar um filho que, em vez de caçar dragões quer treinar dragões.
Nada sobre “aceitar as diferenças” além do que é abordado passou pela cabeça de nenhum de vocês?

Olha, não tô questionando como esses assuntos foram abordados ou mesmo se foram abordados diretamente, mas, mesmo na sua infância, eles estavam lá.
Você, seus pais e seus avós viram isso muito tempo atrás.
Não é exatamente uma novidade, entendem?

Então, não é como se essa ação supostamente “Nova” fosse abrir os olhos de cada um e de todos eles.
Eu entendo que o beijo do Félix com o mocinho que eu não lembro o nome, porque não assisti a novela, foi realmente lindo, e poético, e significativo pra qualquer um que se identifique ou simpatize com a causa, mas dizer que ele é o primeiro passo pra mudar uma sociedade preconceituosa me parece um pouco demais.
Comemorar um beijo homoafetivo não me parece progresso de forma alguma, me parece mais como uma ênfase de como somos atrasados e arcaicos e preconceituosos; de como precisamos nos apegar a qualquer raio de luz e esperança que seja jogado em nosso caminho, e isso, sob nenhuma lente que eu olhe, me parece vantajoso.
Alguns me disseram que é o primeiro pequeno passo para a aceitação.
Peço desculpas mais uma vez, mas, não ao meu ver.
Quem se emocionou, aqueles que torceram por esse beijo, foram pessoas que já não achavam isso o fim do mundo, que já entendiam que ser gay ou não é como ser destro ou canhoto, que conhecem sobre o assunto, que, de alguma forma são pessoas mais esclarecidas, ou pessoas que não pensam por si próprias e aceitam tudo o que a tv e demais geradores de tendência vomitam sobre elas, nesse segundo caso, não vejo que diferença faz, na verdade.
Enfim, o que eu tô tentando dizer com essa baboseira toda, é que eu não estou reclamando desse ato da novela. Não DESSE, porque, honestamente, teve tanta coisa nessa novela que não vou perder meu tempo contando. É só que me preocupa ver tanto estardalhaço sobre um assunto que, o que todos querem, é que não seja preocupante, não seja grande, não seja alvo de fofoca, não seja um problema, porque não é.
O que me preocupa é a esperança que vejo sendo colocado por sobre um beijo gay, como se isso fosse o primeiro passo pra uma mudança incrível e breve, que não tardará a acontecer. Como se esse beijo significasse o fim dos estupros, dos espancamentos, da sociedade patriarcal, do machismo e de todo preconceito.
Eu posso estar sendo um pouco pessimista demais, mas, vejam o que aconteceu com os protesto do ano passado.
Tudo que eu vejo é mais um “ato que vai mudar o mundo” como tantos que vimos, e esquecemos, no último ano.
Eu não sei.
Talvez tudo isso não tenha servido de nada.
Tudo o que eu peço é que tenhamos o pé no chão, humanos.
Um passo de cada vez.
E, mais amor, por favor. 








EDITADO:
Queria deixar aqui pros bonitos um link que me mandaram do BuzzFeed, de "porque Sailor Moon foi a animação mais gay que você já assistiu".
É em inglês, mas é maravilhoso. E os comentários valem a pena, também.
Ah, e me deixou SUPER com vontade de rever. <3